A Evolução Histórica de Santa Inês: de Povoado a Centro
Comercial
Como visto anteriormente, o desenvolvimento inicial de Santa
Inês — então conhecida como Ponta da Linha — esteve diretamente ligado ao
funcionamento do Engenho Central São Pedro de Alcântara. No entanto, com o
encerramento das atividades dessa grande unidade industrial, a localidade não
entrou em declínio. Ao contrário, esse momento marcou o início de uma nova fase
econômica e social, caracterizada pela adaptação da população e pela
diversificação das atividades produtivas.
Após o fechamento do Engenho Central, a população permaneceu
na região e reorganizou sua forma de sustento. A economia passou a se apoiar em
três grandes eixos:
- Agricultura
de subsistência e comercial: cultivo de algodão, arroz, milho e mandioca,
tanto para consumo próprio quanto para venda.
- Pequena
indústria: surgimento de pequenos engenhos ao longo da estrada que ligava
o povoado a São Pedro (atual município de Pindaré-Mirim).
- Extrativismo
e recursos naturais: a região era coberta por extensas áreas de mata
nativa, oferecendo abundância de caça, pesca, madeira e, sobretudo, o
babaçu, produto de grande importância econômica.
Essa diversidade de recursos naturais facilitava a
sobrevivência das famílias e tornava a região cada vez mais atrativa para novos
moradores.
A partir de 1942, Santa Inês passou a apresentar
características mais urbanas, com a implantação dos primeiros serviços públicos.
·
Mercado Municipal: Foi marco dessas obras, construído
no local onde hoje se encontra a Rua do Mercado Municipal;
·
Segurança Pública: Instalação da primeira
delegacia, que funcionava na residência do administrador Sr. Mundico Rêgo;
·
Educação: Criação da primeira escola municipal,
sob a direção da professora Inez Galvão, figura de grande importância para a
história educacional local.
Vale lembrar que, nesse período, o povoado ainda era
administrativamente subordinado ao município de Pindaré-Mirim.
Essas iniciativas contribuíram para a fixação da população e
para o fortalecimento da vida social e econômica do povoado.
Um marco decisivo no processo de crescimento ocorreu em 1951,
com a chegada da energia elétrica, fornecida pela Companhia de Eletrificação
Rural do Vale do Pindaré.
A melhoria da infraestrutura, aliada à fertilidade das
terras, atraiu um intenso fluxo migratório, sobretudo de famílias nordestinas
vindas dos estados do Piauí e do Ceará. Esse aumento populacional impulsionou
fortemente o comércio local, fazendo com que Santa Inês se consolidasse como o principal
centro comercial da região.
Apesar do acelerado desenvolvimento, Santa Inês enfrentava
limitações importantes:
- Dependência
logística: o Rio Pindaré era a principal via de transporte da região.
Dessa forma, toda a produção e o abastecimento do povoado precisavam
passar, obrigatoriamente, pelo porto de Pindaré-Mirim.
- Subordinação
política: mesmo superando a sede em número de habitantes e dinamismo
econômico, Santa Inês continuava sendo apenas um distrito, sem autonomia
administrativa.
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