Como visto na página Início da Colonização, Mani Viana e Severino Costa chegaram à região em 1879, acompanhados de suas famílias e de seus escravos.
No ano 1883 inaugurou-se uma ferrovia que ligava os
canaviais ao engenho central, conferindo pioneirismo à região, pois esta foi a
primeira ferrovia do estado. O final da estrada de ferro foi chamado de Ponta
da Linha. Esse ponto situava-se onde hoje está a Rua da Barreirinha,
em frente à antiga capela de Nossa Senhora da Conceição, atual Igreja Matriz
de Santa Inês.
A partir desse ponto, seguia uma estrada de terra em direção
à atual Rua das Laranjeiras, avançando pelos canaviais. Essa estrada era
intensamente utilizada por numerosos carros de boi, responsáveis pelo
transporte da cana dos confins dos canaviais até a estação, onde era carregada
no trem. Com o tempo, moradores foram se estabelecendo ao longo desse caminho,
que passou a ser conhecido como Rua da Boiada, hoje a tradicional Rua
do Comércio, uma das mais antigas e importantes vias de Santa Inês.
O movimento em Ponta da Linha
O funcionamento do engenho central exigia uma produção muito
elevada de matéria-prima, o que demandava grande quantidade de mão de obra. Era
necessário trabalhar no preparo da terra, no plantio e na colheita da cana, no
transporte em carros de boi — cerca de 500 carros — e no carregamento do
trem, composto por 105 vagões, que transportavam aproximadamente 315
toneladas de cana-de-açúcar.
Ponta da Linha concentrava grande parte dessa mão de obra,
tornando-se um importante polo de atração populacional. Embora Mani Viana e
Severino Costa fossem grandes proprietários de terras e de pessoas
escravizadas, é importante lembrar que, quatro anos após a inauguração do
engenho, ocorreu a abolição da escravidão, com a promulgação da Lei
Áurea em 13 de maio de 1888. A partir desse momento, o trabalho passou a
ser oficialmente assalariado, o que contribuiu para intensificar ainda mais o
crescimento populacional do povoado.
Para se ter uma ideia da dimensão desse movimento, basta imaginar o trânsito diário de centenas de carros de boi carregados de cana, além de um trem parado, com mais de cem vagões sendo carregados manualmente. Cada vagão recebia cerca de três toneladas de cana-de-açúcar, exigindo o esforço diário de centenas de trabalhadores. Todo esse dinamismo fazia de Ponta da Linha um lugar bastante movimentado e atrativo para se viver.
As mudanças de nome do povoado
A partir de 1884, com a inauguração do engenho central, toda
a colônia passou a ser conhecido como Ponta da Linha, em razão de sua
localização no final da ferrovia. Com o tempo, porém, novas denominações
surgiram.
Na capela local, os moradores celebravam Nossa Senhora da
Conceição, o que levou o povoado a ser chamado informalmente de Conceição,
em homenagem à santa. Posteriormente, passou-se também a festejar Santa Inês,
em decorrência de um episódio marcante da história local.
Segundo a tradição oral, a esposa do deputado estadual Eurico
Galvão, enfrentando uma gravidez de risco, fez uma promessa a Santa Inês:
caso tudo ocorresse bem, ela doaria uma imagem da santa à capela do povoado.
Com o desfecho positivo da gestação, a promessa foi cumprida, e a imagem passou
a integrar o espaço religioso. A partir de então, os próprios moradores
decidiram mudar novamente o nome do povoado, que passou a se chamar Santa
Inês, denominação que se consolidou ao longo do tempo.
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